Dentro do armário e suas neuras - Portal Ligação Teen
A neurose é um desequilíbrio emocional que pode afetar qualquer pessoa, seja ela gay ou não gay.
A homossexualidade, em si, não é o fato dessa desordem, pois ela não é considerada doença pela comunidade médica e científica. A causa deste desequilíbrio emocional [neurose] são os conflitos interiores que o indivíduo possui entre seus desejos e o que a sociedade lhe impõe como padrão “normal” e “recomendável” de um modo de ser.
Se estes modelos impostos culturalmente não fossem tão preconceituosos e os homossexuais não fossem massacrados, desde criança, com a idéia e o sentimento de que seus desejos são “incorretos ou indevidos”, provavelmente muitas neuroses deixariam de existir, ou mesmo nem seriam criadas.
Este desequilíbrio emocional [neurose] atinge de forma mais agressiva, os indivíduos que adotam a orientação conhecida como ficar “dentro do armário”, isto é, aqueles que reprimem seus desejos mais profundos, porque a família, amigos e a sociedade em geral, não aceitam tais desejos e não os aceitam tal como são.
Desta forma, muitos acabam optando por viverem uma vida dupla, muitas vezes assumindo papeis de “bissexuais” pelo simples fato de ser menos “doloroso” e, só depois de algum tempo e experiência, assumem-se como gays ou lésbicas de forma definitiva.
Chegar a este ponto não é algo inatingível, pois, se muitos conseguem você também está apto a conseguir. É certo que isso não acontece de um dia para outro. Este processo, lento e gradual, de aceitação e de exposição depende, direta e exclusivamente, de cada um de nós e do caminho, que escolheremos, até atingirmos objetivo final. Mas, tenha sempre em mente que, você e só você é responsável por sua vida e sua felicidade plenas. A única pessoa que sabe o que é melhor para você é você mesmo. Se escolher “sair do armário”, parabéns, mas esteja preparado para as grandes dificuldades que irá encontrar. Se escolher continuar “no armário”, é um direito seu que também tem seu preço, você estará jogando fora a sua única possibilidade de ser um verdadeiro e pleno SER.
Como é bom sermos quem, realmente, somos; não termos que esconder nossa orientação sexual para familiares, amigos, colegas, enfim, de quem quer que seja.
Coloco isto a partir de minha experiência de vida, mas não a coloco como modelo único e definitivo para ninguém, apenas um tema para reflexão, pois, as escolhas e seus ônus serão sempre de cada um.
Paulo Braccini
Paulo Braccini, 59 anos, Mineiro de Belo Horizonte, formado em Medicina Veterinária [minha profissão] e também em Filosofia e História. Gay assumido, casado com outro cara já a 35 anos e 7 meses e feliz. Blogueiro – Enfim, é o que tem pra hoje -
http://paulobraccini-filosofo.blogspot.com.br. Atualmente atuando também como voluntário em um grupo de comunidade onde desenvolvo algumas atividades tais como: Alfabetização de adultos, Grupo de jovens e adolescentes onde busco ministrar e coordenar palestras sobre como ser jovem nos tempos de hoje, com responsabilidade e ética, como superar preconceitos, e outros temas relevantes. Já enfrentei momentos delicados em minha vida que me ensinaram muito – para isto adotei como lema de minha vida uma citação de Nietszche: ” O gosto de minha morte na boca deu-me perspectiva e coragem. O importante é a coragem de ser eu mesmo.”






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